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{"id":1439,"date":"2017-06-27T16:36:25","date_gmt":"2017-06-27T16:36:25","guid":{"rendered":"https:\/\/parktowers.com.br\/site\/?p=1439"},"modified":"2018-04-27T18:24:42","modified_gmt":"2018-04-27T18:24:42","slug":"entrevista-com-medica-infectologista-cydia-alves-pereira-de-souza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parktowers.com.br\/site\/entrevista-com-medica-infectologista-cydia-alves-pereira-de-souza\/","title":{"rendered":"Entrevista com a m\u00e9dica infectologista Cydia Alves Pereira de Souza"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column][vc_column_text]A entrevista desse m\u00eas \u00e9 com a Dra. Cydia Alves Pereira de Souza, m\u00e9dica infectologista especializada principalmente no acompanhamento de pacientes portadores de HIV\/Aids e Hepatites Virais, al\u00e9m de outras doen\u00e7as infecciosas, com consult\u00f3rio aqui no Flamengo Park Towers. Em um \u00f3timo bate-papo, conversamos um pouco sobre sua experi\u00eancia no tratamento de Aids e Hepatites e sobre doen\u00e7as infectocontagiosas mais comuns no Rio de Janeiro, al\u00e9m das pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade e de preven\u00e7\u00e3o e tratamento destas doen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Doutora, conte um pouco sobre a sua forma\u00e7\u00e3o e sua carreira como m\u00e9dica infectologista.<\/strong><\/p>\n<p>Me formei em 1980, quando come\u00e7ou a epidemia de Aids e fiquei muito impressionada, mobilizada e interessada em tentar ajudar esses pacientes. A minha formatura coincidiu com os primeiros casos de Aids e muitos poucos m\u00e9dicos queriam tratar esses pacientes na \u00e9poca. Ent\u00e3o, comecei a estudar muito a doen\u00e7a. Em 1990, resolvi me especializar no tratamento e acompanhamento de pacientes portadores de HIV\/Aids e, logo depois fiz Mestrado em doen\u00e7as infectocontagiosas e parasit\u00e1rias na UFRJ e, desde ent\u00e3o, me dedico a essa especialidade. Dou aula na Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1 e trabalho na Secretaria Municipal de Sa\u00fade no Centro Municipal de Sa\u00fade de Copacabana, onde tenho um programa de atendimento para pacientes com Aids e Hepatites Virais.<\/p>\n<p><strong>Fale um pouco da atua\u00e7\u00e3o de\u00a0um m\u00e9dico infectologista.<\/strong><\/p>\n<p>O Infectologista \u00e9 o m\u00e9dico especialista no diagn\u00f3stico, tratamento e acompanhamento dos pacientes portadores de doen\u00e7as infecciosas e parasit\u00e1rias, sejam elas causadas por v\u00edrus, bact\u00e9rias, fungos, protozo\u00e1rios ou outros micro-organismos. O Rio de Janeiro, por ser uma capital urbana, n\u00e3o tem incid\u00eancia de muitas das doen\u00e7as tropicais prevalentes no Norte e Nordeste do Brasil. Ent\u00e3o, basicamente, trabalhamos com infec\u00e7\u00f5es bacterianas, infec\u00e7\u00f5es hospitalares, HIV, hepatites e arboviroses, que incluem as doen\u00e7as transmitidas pelo Aedes aegypti.<\/p>\n<p><strong>As viroses respirat\u00f3rias no inverno e gastrintestinais no ver\u00e3o s\u00e3o muito comuns aqui no Rio de Janeiro. Como diferenciar cada caso e quais as melhores formas de preven\u00e7\u00e3o? E porque o diagn\u00f3stico de &#8220;virose&#8221; \u00e9 muito comum?<\/strong><\/p>\n<p>Todas as viroses tem nome. Basta fazer a pesquisa dos ant\u00edgenos ou amplifica\u00e7\u00e3o do genoma dos v\u00edrus. N\u00e3o existe o \u201cvoc\u00ea est\u00e1 com virose\u201d. O paciente pode estar com gripe, com dengue, rotav\u00edrus, etc. O problema \u00e9 que existem v\u00e1rias gastroenterites virais, causadas por diversos tipos de enterov\u00edrus. E, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer as pesquisas desses v\u00edrus. Primeiro, porque eles s\u00e3o eliminados rapidamente e, segundo, porque o m\u00e9todo de pesquisa \u00e9 por amplifica\u00e7\u00e3o do RNA do v\u00edrus e o paciente fica bom antes do resultado. O rotav\u00edrus \u00e9 um caso mais grave que causa uma diarreia que debilita mais. E ainda existem as diarreias causadas por bact\u00e9rias. Nessas, \u00e9 poss\u00edvel fazer a cultura e descobrir o que est\u00e1 acontecendo. Mas n\u00e3o existe \u201cvirose\u201d, se a gente quiser e puder, por causa do alto custo dos exames, fazemos o diagn\u00f3stico de todas elas.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia a pol\u00edtica p\u00fablica de combate ao HIV no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 foi um sucesso, n\u00e3o \u00e9 mais. Primeiro, porque n\u00e3o temos a aquisi\u00e7\u00e3o dos novos medicamentos dispon\u00edveis no mundo, que s\u00e3o muito menos t\u00f3xicos e mais f\u00e1ceis de tomar. Na verdade, o nosso Programa parou em 2006. Os rem\u00e9dios que usamos hoje n\u00e3o s\u00e3o mais usados. O nosso guia de tratamento est\u00e1, neste momento, come\u00e7ando a melhorar, mas os medicamentos utilizados est\u00e3o todos ultrapassados. A tend\u00eancia \u00e9 melhorar um pouco com um rem\u00e9dio novo que foi adquirido: o Dolutegravir. Tamb\u00e9m o programa de preven\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 muito prec\u00e1rio e negligenciado.\u00a0As pessoas continuam se relacionando sexualmente com pessoas desconhecidas sem preservativos, principalmente os jovens. Quatro em cada cinco pacientes novos com HIV que eu recebo t\u00eam menos de 25 anos. E quando eles ficam infectados se desesperam porque n\u00e3o t\u00eam estrutura emocional para lidar com uma doen\u00e7a que ainda n\u00e3o tem cura.<\/p>\n<p><strong>T\u00e3o importante quanto a preven\u00e7\u00e3o \u00e9 o servi\u00e7o de acolhimento \u00e0s pessoas que tiverem um resultado positivo. O tratamento avan\u00e7ou e a sobrevida \u00e9 muito maior do que registrado nas d\u00e9cadas passadas. Mas, para muitas pessoas, a doen\u00e7a ainda \u00e9 tratada como tabu e um certo preconceito. Como voc\u00ea avalia o trabalho de acolhimento realizado aqui no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>O grande problema, para mim, \u00e9 que estamos lidando com uma doen\u00e7a sexualmente transmiss\u00edvel e sexo \u00e9 tabu no Brasil ainda. N\u00e3o se discute sexo nas escolas nem em casa. Ainda se acha, hoje em dia, que a AIDS \u00e9 uma doen\u00e7a de exclu\u00eddos, de homossexuais, garotas de programa e de drogados. Existem, por exemplo, crian\u00e7as que nascem com HIV, mulheres que s\u00e3o contaminadas pelos maridos. N\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a ligada \u00e0 quantidade de parceiros e sim a voc\u00ea manter rela\u00e7\u00f5es sexuais sem preservativos. Felizmente a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV \u00e9 hoje uma doen\u00e7a totalmente control\u00e1vel por medicamentos. Por\u00e9m, existem pessoas que n\u00e3o conseguem conviver com a doen\u00e7a e acabam morrendo por medo do diagn\u00f3stico e da discrimina\u00e7\u00e3o. Existe, ainda, muito estigma e discrimina\u00e7\u00e3o de nossa sociedade e at\u00e9 mesmo de colegas m\u00e9dicos de outras especialidades. Nossa sociedade ainda \u00e9 muito conservadora. Os pais n\u00e3o t\u00eam discutido o assunto com os filhos. Talvez n\u00e3o fa\u00e7am o que faziam no in\u00edcio da epidemia nos anos 80\/90, onde muitos eram expulsos de casa, mas eles tamb\u00e9m n\u00e3o se envolvem com o problema. Ainda se discrimina muito os homossexuais no pa\u00eds. O Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds em n\u00famero de mortes de homossexuais e transexuais por homic\u00eddio no mundo, atr\u00e1s apenas do M\u00e9xico.<\/p>\n<p><strong>Nos \u00faltimos anos presenciamos o surto de zika e chikungunya, assim como o de\u00a0dengue que j\u00e1 era uma velha conhecida. O SUS e o sistema de sa\u00fade privado est\u00e3o com dificuldades para o diagn\u00f3stico. O que causa essa dificuldade?<\/strong><\/p>\n<p>Precisamos de exame, isso \u00e9 o mais importante. N\u00e3o temos\u00a0exames suficientes para fazer o diagn\u00f3sticos destas duas doen\u00e7as (zika e chikungunya, principalmente). \u00a0A rede p\u00fablica cobre os exames em casos suspeitos, que est\u00e3o sendo feitos na sua maioria nas gr\u00e1vidas, por causa da microcefalia. A chikungunya pode evoluir para uma artrite permanente e incapacitante se n\u00e3o for adequadamente tratada e requer mais cuidado, pois as sequelas podem durar bastante tempo. E depois de tantos anos, eu posso afirmar: \u00e9 imposs\u00edvel erradicar o Aedes. O trabalho que pode e deve ser feito \u00e9 o de conscientiza\u00e7\u00e3o para evitar a prolifera\u00e7\u00e3o do Aedes. A zika na gr\u00e1vida pode causar microcefalia no beb\u00ea? Sim, mas a dengue mata. \u00c9 a pior de todas as arboviroses, depois da febre amarela, mencionando as que podem ser transmitidas por este vetor, que \u00e9 problema maior. Voc\u00ea deve ter notado a quantidade de pessoas que pararam de fumar. Isso se chama educa\u00e7\u00e3o continuada e come\u00e7ou dentro das escolas. E dentro das escolas, as pr\u00f3prias crian\u00e7as e adolescentes j\u00e1 n\u00e3o fumam como fumavam antigamente. Existe uma conscientiza\u00e7\u00e3o dos jovens de que o cigarro faz mal para a sa\u00fade e os pais est\u00e3o parando de fumar por press\u00e3o dos filhos. Se existisse esse trabalho de preven\u00e7\u00e3o aos\u00a0mosquitos\u00a0nas escolas e saneamento b\u00e1sico nas\u00a0cidades, o que n\u00e3o existe, principalmente nas comunidades carentes, ter\u00edamos menos casos fatais. A grande incid\u00eancia dessas doen\u00e7as est\u00e1 nas popula\u00e7\u00f5es de baixa renda. H\u00e1 uma falha muito grande nas campanhas. O sal\u00e1rio pago aos agentes de sa\u00fade \u00e9 bem baixo tamb\u00e9m e a invers\u00e3o de valores \u00e9 muito grande. As pessoas que t\u00eam import\u00e2ncia para a comunidade s\u00e3o muito mal pagas.<\/p>\n<p><strong>A febre amarela est\u00e1 em evid\u00eancia novamente. Temos casos confirmados em cidades de Minas Gerais, Esp\u00edrito Santo, S\u00e3o Paulo e, agora, Rio de Janeiro. Qual o principal motivo para a febre amarela ter retornado? O governo errou na preven\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a causada por um v\u00edrus, que \u00e9 transmitida por mosquitos. A doen\u00e7a ocorre nas regi\u00f5es de matas e nos ambientes silvestres, por esta raz\u00e3o chamada febre amarela silvestre. Quando a doen\u00e7a ocorre nas cidades \u00e9 chamada de febre amarela urbana. A febre amarela silvestre \u00e9 transmitida por mosquitos chamados de Haemagogus e Sabethes. A febre amarela urbana \u00e9 transmitida pelo Aedes aegypti. O grande problema desta nova\u00a0epidemia, assumido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade,\u00a0<span class=\"im\">foi a n\u00e3o vacina\u00e7\u00e3o das pessoas nas \u00e1reas rurais\u00a0<\/span>ou de risco, que s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o morrendo. Nessas \u00e1reas, as pessoas precisam ser vacinadas. Agora o Governo est\u00e1 apagando o inc\u00eandio. Trabalha em surtos e n\u00e3o na preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Conte um pouco sobre seu trabalho no programa municipal de atendimento para pacientes com AIDS e Hepatite.<\/strong><\/p>\n<p>Eu trato pacientes com Aids h\u00e1 30 anos e \u00e9 um trabalho muito interessante e apaixonante<span class=\"im\">. Trabalho com pessoas com resist\u00eancia a muitos medicamentos e com todo tipo de paciente (travestis, transexuais, etc.). Al\u00e9m disso, trato pacientes com Hepatite C, doen\u00e7a que afeta 200 milh\u00f5es de pessoas no mundo, contra 36 milh\u00f5es de pessoas com HIV. \u00c9 uma \u201cepidemia escondida\u201d e muitas pessoas n\u00e3o sabem que est\u00e3o infectadas. Hoje, tratamos a Hepatite C com 2 medicamentos durante 3 meses <\/span>com taxa de cura <span class=\"im\">em 99% dos casos. \u00c9 um trabalho muito\u00a0<\/span>incentivador que eu comecei\u00a0<span class=\"im\">em 2011 e que funciona em um ambulat\u00f3rio dentro de uma unidade b\u00e1sica de sa\u00fade. Com rela\u00e7\u00e3o ao HIV, tirando o que <\/span>est\u00e1vamos discutindo\u00a0<span class=\"im\">sobre a discrimina\u00e7\u00e3o e preconceito, \u00e9 uma doen\u00e7a\u00a0<\/span>tamb\u00e9m gratificante de ser tratada, pois todos os pacientes hoje t\u00eam uma vida normal vivendo com HIV. Existem diversos estudos de cor<span class=\"im\">te que mostram que a sobrevida das pessoas com e sem HIV \u00e9 a mesma, desde que a pessoa se trate e\u00a0<\/span>que e<span class=\"im\">scolha um estilo de vida saud\u00e1vel. Tem sido muito gratificante ver que meus \u00a0meus pacientes est\u00e3o chegando na terceira idade. Agora eu estou cuidando da velhice deles e n\u00e3o imaginava na d\u00e9cada de 80 q<\/span>ue um dia eu me transformaria em uma geriatra.[\/vc_column_text][vc_empty_space height=&#8221;20px&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A entrevista desse m\u00eas \u00e9 com a Dra. 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